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O Brasil discute a eleição; o empresário faz outras contas

Foto do escritor: Sindeprestem
Sindeprestem
há 4 horas
3 min de leitura

Polarização, Banco Master, debates sobre as instituições, Reforma Tributária, Inteligência Artificial e mudanças nas relações de trabalho. Em meio a tantos acontecimentos simultâneos, existe uma questão que interessa ao setor produtivo e a milhões de trabalhadores: quem está olhando para a realidade de quem empreende, contrata e investe no Brasil?


Em A Arte da Guerra, Sun Tzu demonstra como a fragmentação pode enfraquecer uma força. Séculos depois, sem comparar política a uma guerra, a reflexão ajuda a observar um fenômeno do nosso tempo: o Brasil parece cada vez mais dividido em campos, enquanto questões decisivas para o futuro do país correm paralelamente a essa disputa. Enquanto o país discute lados, muita coisa está acontecendo no meio. E é justamente nesse espaço que estão as empresas e os empregos que elas sustentam.


O Brasil continua demonstrando enorme disposição para empreender. Somente em julho de 2026, 485 mil empresas foram abertas no país, que chegou a 25,4 milhões de empresas ativas, segundo o Mapa de Empresas do Governo Federal. Por trás de cada CNPJ existe alguém que decidiu assumir riscos, investir recursos, prestar um serviço, contratar pessoas ou transformar uma atividade profissional em negócio.


Ao mesmo tempo, empresas encerram suas atividades todos os meses. Baixa cadastral não significa necessariamente falência, assim como a abertura de um CNPJ não representa, por si só, uma empresa consolidada. Ainda assim, essa movimentação ajuda a dimensionar quantos brasileiros estão diretamente expostos às condições econômicas, tributárias, trabalhistas e regulatórias do país.


E essa realidade não termina na porta da empresa. Quando um negócio cresce, pode contratar, investir e gerar renda. Quando perde competitividade, enfrenta custos incompatíveis ou deixa de ter previsibilidade para investir, as consequências podem chegar à contratação e à manutenção dos empregos. Empresa e trabalhador não estão em lados opostos dessa equação. A sustentabilidade de um depende, em grande medida, da sustentabilidade do outro.


Por isso, quando falamos de política, estamos falando também das regras pelas quais essas empresas terão de operar. Enquanto boa parte do debate público está concentrada na disputa eleitoral, o empresário está fazendo outras contas: folha de pagamento, contratos, custos de mão de obra, investimentos, tecnologia e, agora, os impactos de IBS e CBS sobre sua operação. São decisões empresariais, mas seus efeitos alcançam empregos, renda e oportunidades.


Em paralelo a essas transformações, acontecimentos recentes trouxeram uma palavra para o centro do debate empresarial: confiança. O caso Banco Master é um exemplo. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. e de outras instituições do conglomerado, diante de grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.


Não cabe antecipar responsabilidades nem transformar investigações em conclusões políticas, mas episódios dessa dimensão evidenciam algo fundamental: quem investe precisa confiar no sistema financeiro e nos órgãos reguladores, quem assina contratos depende de regras e mecanismos para fazê-los valer, e quem compromete capital em projetos de longo prazo precisa de um grau razoável de previsibilidade sobre tributação, custos e regulação.


É nesse ponto que entra uma discussão fundamental para o setor produtivo: a representatividade empresarial. Em 4 de outubro, mais de 155 milhões de brasileiros estarão aptos a escolher presidente da República, governadores, deputados federais, deputados estaduais e distritais e senadores. Serão escolhidos 54 senadores, o equivalente a dois terços do Senado, além da renovação da Câmara dos Deputados. Muitas das decisões que afetarão empresas e trabalhadores nos próximos anos, portanto, não dependerão apenas de quem ocupar a Presidência da República.


Não se trata de dizer ao empresário como votar. Também não é esse o papel de uma entidade empresarial. Trata-se de garantir que quem decide conheça a realidade de quem investe, empreende e gera empregos no país. O Sindeprestem não tem lado partidário, tem um setor para representar.


O papel de um sindicato empresarial não é defender uma corrente ideológica, mas levar a realidade das empresas que representa aos espaços em que decisões são tomadas. No nosso caso, falamos de empresas de terceirização, trabalho temporário e prestação de serviços, atividades intensivas em mão de obra. É justamente por conhecer essa realidade que defendemos menos burocracia, regras claras, previsibilidade e condições melhores para investir.


Não se trata de pedir privilégios. Trata-se de mostrar que cada nova obrigação ou mudança regulatória produz consequências práticas para empresas e trabalhadores. Essa é uma das funções da representatividade empresarial: apresentar dados, impactos e propostas técnicas antes que uma regra seja definida e a empresa tenha apenas de calcular quanto ela custará ou se conseguirá absorvê-la sem comprometer investimentos e postos de trabalho. Empresários podem ter diferentes convicções políticas, assim como trabalhadores e cidadãos. O que aproxima um setor são questões concretas.


A eleição passa. O desafio de criar condições para que empresas cresçam, empregos sejam preservados e novas oportunidades sejam geradas permanece.


Vander Morales

Presidente do Sindeprestem e da Fenaserhtt

 
 
 

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