Vander Morales destaca oportunidades de inovação na China e propõe compras coletivas para fortalecer o setor de serviços brasileiro


A Missão China 2026, promovida pela Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), em parceria com a Continental Corporation, revelou oportunidades de inovação, modernização e ampliação da competitividade para as empresas brasileiras. Realizada entre 28 de outubro e 4 de novembro, a iniciativa percorreu Xangai, Hangzhou e Pequim, reunindo empresários e lideranças do setor de serviços em visitas técnicas, encontros institucionais e feiras internacionais.
Com o tema “Negócios, Inovação e Conexões Globais”, a missão proporcionou aos participantes contato direto com tecnologias de inteligência artificial, robótica, automação e transformação digital, além de experiências relacionadas à produtividade, à organização empresarial e ao futuro do trabalho.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros (Sindeprestem), Vander Morales, a experiência contribuiu para transformar a percepção dos empresários brasileiros sobre o modelo de desenvolvimento chinês e identificar oportunidades concretas de negócios.
“A gente tinha uma outra visão do sucesso da China. Achava que a China era só mão de obra barata, e não é. Eles criaram um sistema de empreendedorismo que pode servir de modelo para o Brasil. Acho que pode não, deveria servir de modelo para o Brasil”, afirmou.
Segundo Morales, o crescimento econômico chinês está associado a um conjunto de fatores que inclui segurança jurídica, atração de investimentos, inovação tecnológica e condições favoráveis ao empreendedorismo. “Eles criaram um cenário de segurança jurídica e de investimentos, que atrai inclusive investidores estrangeiros”, destacou.
O dirigente também ressaltou que o desenvolvimento observado é resultado de um planejamento de longo prazo, iniciado com as reformas econômicas implementadas no final da década de 1970. “Não é à toa que eles estão ficando anos-luz à nossa frente. Nós vimos que esse modelo começou lá em 1978, 1979. É uma construção de longo prazo”, avaliou.

Tecnologia e inovação como oportunidades para o Brasil
Ao longo da programação, os empresários brasileiros conheceram soluções tecnológicas aplicadas a diferentes atividades econômicas, incluindo equipamentos, sistemas automatizados e ferramentas capazes de contribuir para a modernização dos processos produtivos.
Na avaliação de Morales, a consolidação da China como um dos principais centros mundiais de tecnologia e inovação abre perspectivas importantes para o setor de serviços brasileiro, especialmente nas áreas de qualificação profissional, atualização de equipamentos e incorporação de novas tendências.
“Eles estão se tornando um centro de tecnologia, de inovação, que, para a nossa indústria, vai ajudar muito, principalmente nessa questão de qualificação profissional, de novas tendências e de equipamentos”, afirmou.
A aproximação com empresas chinesas também permitiu aos participantes conhecer alternativas de fornecimento de produtos e soluções tecnológicas que poderão contribuir para a redução de custos operacionais e o aumento da produtividade das empresas brasileiras.
Proposta de compras coletivas pode ampliar competitividade
Um dos principais desdobramentos apontados por Vander Morales foi a possibilidade de estruturar um modelo de compras coletivas para facilitar o acesso das empresas brasileiras a equipamentos e insumos produzidos na China.
Durante as visitas, o dirigente identificou diferenças de preços que, em sua avaliação, justificam o estudo de mecanismos de importação conjunta, capazes de ampliar o poder de negociação das empresas brasileiras.
“Precisamos criar um modelo de compras para ter acesso a todos esses insumos, porque os insumos aqui são muito baratos. Não só os equipamentos, mas os insumos da nossa indústria também são muito baratos”, explicou.
Morales sugeriu que a Cebrasse avalie a possibilidade de atuar como articuladora de uma estrutura de compras e importações, reunindo demandas de empresas de diferentes segmentos do setor de serviços. “Talvez a Cebrasse possa ser uma central de compras, junto com uma estrutura de importação, para que todo mundo faça os pedidos”, propôs.
A ideia seria aproveitar a escala das aquisições coletivas para negociar melhores condições comerciais com fornecedores chineses, considerando também os custos logísticos, tributários e regulatórios envolvidos nas importações.
Para Morales, a iniciativa poderia representar um avanço na busca por maior eficiência operacional e competitividade. “Eu acho que as indústrias do nosso setor, o setor de prestação de serviços, podem se beneficiar e melhorar sua competitividade”, afirmou.
A proposta ainda depende de estudos de viabilidade, mas representa uma possibilidade de transformar o intercâmbio empresarial promovido pela missão em resultados comerciais para as empresas brasileiras.

Comprometimento dos trabalhadores impressiona empresários
Além dos avanços tecnológicos, outro aspecto que chamou a atenção do presidente do Sindeprestem foi o comprometimento dos trabalhadores chineses com as empresas e a qualidade do atendimento ao consumidor.
Durante a viagem, Morales observou a dedicação dos profissionais em diferentes atividades, como comércio, restaurantes, mercados e estabelecimentos de prestação de serviços. “Eles vestem a camisa. Fazem de tudo para te atender bem, para que você saia satisfeito. Se você ficou com alguma dúvida, eles procuram resolver. A língua não é uma barreira, porque eles se viram e fazem de tudo para te tratar bem. Isso realmente foi encantador”, relatou.
O dirigente também destacou a organização das cidades, a limpeza, a segurança e a infraestrutura urbana como elementos que contribuíram para sua avaliação positiva da experiência.
Relações de trabalho também despertam interesse
As diferenças entre os modelos de organização do trabalho no Brasil e na China também estiveram entre os temas observados durante a missão. Em um momento em que o Brasil debate mudanças na jornada de trabalho, especialmente a escala 6x1, Morales destacou relatos de práticas de flexibilidade que conheceu durante a viagem.
Segundo o dirigente, alguns trabalhadores chineses demonstraram interesse em ampliar suas jornadas para aumentar os rendimentos, o que, em sua avaliação, revela diferenças culturais e econômicas na relação com o trabalho.
Ele também mencionou exemplos de organização de jornadas e períodos de descanso apresentados durante a missão, ressaltando a importância de conhecer experiências internacionais que possam contribuir para o debate brasileiro.
Para Morales, a flexibilidade nas relações de trabalho é um dos aspectos que merecem atenção na discussão sobre produtividade e competitividade, consideradas as particularidades da legislação de cada país.

Missão fortalece aproximação empresarial entre Brasil e China
A Missão China 2026 também reforçou o papel da Cebrasse na aproximação entre empresas brasileiras e chinesas, criando oportunidades de intercâmbio tecnológico, cooperação comercial e identificação de novos fornecedores.
Ao reunir representantes de diferentes segmentos do setor de serviços em uma programação de oito dias, a iniciativa permitiu conhecer experiências empresariais, avaliar tendências internacionais e discutir alternativas para a modernização das atividades econômicas no Brasil.
A proposta de compras coletivas apresentada por Vander Morales exemplifica o potencial de desdobramentos da missão, ao apontar um caminho para transformar os contatos realizados na China em oportunidades de redução de custos e fortalecimento das empresas nacionais.
Ao fazer um balanço da experiência, o presidente do Sindeprestem destacou que a viagem superou suas expectativas e proporcionou uma nova compreensão sobre o desenvolvimento chinês. “Foi realmente um aprendizado e uma grata surpresa”, concluiu.
A missão encerrou sua programação com perspectivas de continuidade do diálogo entre empresários brasileiros e chineses, especialmente nas áreas de inovação, fornecimento de equipamentos, qualificação profissional e cooperação comercial, reforçando a importância da internacionalização como instrumento de desenvolvimento do setor de serviços brasileiro.




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