Juros, custos, IA e novas regras: até onde sua empresa aguenta?
- Sindeprestem

- há 31 minutos
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Como as empresas brasileiras suportarão os desafios econômicos dos próximos anos? Essa pergunta ganhou urgência em um cenário de crédito caro, custos crescentes, mudanças regulatórias, Reforma Tributária e rápida transformação tecnológica.
Mesmo após sucessivas reduções, a taxa Selic permanece em 14,25% ao ano. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,64% em junho, enquanto o Produto Interno Bruto cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, com avanço de 0,5% nos serviços. Os números mostram uma economia que cresce, mas ainda impõe cautela a quem precisa financiar operações, preservar caixa e planejar investimentos.
Para empresas de terceirização e trabalho temporário, o desafio é ainda mais direto. São negócios intensivos em mão de obra, com margens pressionadas e contratos precificados a partir de custos futuros. Alterações na jornada, nos encargos, na tributação ou nas obrigações trabalhistas podem comprometer rapidamente o equilíbrio de uma operação.
A resposta não estará apenas no corte de despesas. As empresas precisarão combinar disciplina financeira, flexibilidade operacional, incorporação de tecnologia, qualificação profissional e aumento de produtividade. Automatizar processos será necessário, mas não suficiente. Em serviços, tecnologia e pessoas precisam avançar juntas, porque a qualidade da entrega continua dependendo de equipes preparadas, bem lideradas e capazes de utilizar novas ferramentas.
O setor demonstra sua relevância mesmo diante das dificuldades. Em junho de 2026, os serviços criaram 74.514 empregos formais, o melhor resultado entre os grandes grupamentos econômicos. O dado confirma que essas empresas não representam apenas um custo operacional para outras atividades: elas sustentam operações, dão flexibilidade às cadeias produtivas e ampliam as possibilidades de contratação formal.
Há, porém, um limite para aquilo que cada empresa consegue resolver internamente. Nenhuma organização enfrentará sozinha os efeitos da Reforma Tributária, da Inteligência Artificial, da escassez de profissionais qualificados e das mudanças nas relações de trabalho. Por isso, conectar-se deixou de ser apenas uma forma de relacionamento e passou a integrar a estratégia empresarial.
Conexão, nesse contexto, significa aproximar empresas que enfrentam problemas semelhantes, levar a experiência de quem opera ao debate regulatório, unir conhecimento acadêmico e prática empresarial, compartilhar soluções e construir pautas comuns com o poder público. Significa transformar dificuldades individuais em capacidade coletiva de atuação.
O papel das entidades empre
sariais também precisa acompanhar essa mudança. Não basta reagir depois que uma decisão já elevou custos ou criou insegurança. É necessário antecipar cenários, produzir propostas técnicas, formar alianças entre setores e contribuir para que as políticas públicas considerem os efeitos concretos sobre investimento, competitividade e emprego.
As empresas que atravessarão este período com mais solidez serão aquelas capazes de proteger o caixa sem paralisar o futuro, utilizar tecnologia sem abandonar as pessoas e buscar eficiência sem perder a visão de longo prazo. Mas também serão aquelas que compreenderem que os desafios atuais são grandes demais para respostas isoladas.
Em uma economia complexa, sobreviver exige gestão. Prosperar exige conexão.
Vander Morales
Presidente do Sindeprestem e da Fenaserhtt




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