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Conferência Internacional do Trabalho discute inteligência artificial, trabalho em plataformas e mobilidade laboral em momento decisivo para o futuro do emprego

  • Foto do escritor: Sindeprestem
    Sindeprestem
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Encontro da OIT reuniu representantes de 187 países em Genebra e aprovou a primeira Convenção Internacional sobre Trabalho Decente na Economia das Plataformas.


Enquanto empresas, governos e trabalhadores tentam compreender os impactos da inteligência artificial, das novas formas de contratação e da transformação dos mercados de trabalho, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reuniu, em Genebra, os principais atores globais do mundo do trabalho para discutir como essas mudanças devem ser conduzidas nos próximos anos.

 

Realizada entre 1º e 12 de junho, a 114ª Conferência Internacional do Trabalho reuniu mais de 5.700 delegados dos 187 Estados-membros da OIT. O encontro é considerado o principal fórum mundial para debates sobre emprego, relações de trabalho, proteção social e desenvolvimento econômico.

 

Neste ano, um tema esteve presente em praticamente todas as discussões: como garantir que as transformações tecnológicas gerem prosperidade, sem ampliar desigualdades ou comprometer o trabalho decente.

 

Inteligência artificial: tecnologia precisa servir às pessoas

 

Na abertura da conferência, o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, defendeu uma abordagem centrada no ser humano para o desenvolvimento e utilização da inteligência artificial.

 

Segundo ele, o futuro do trabalho não será definido apenas pelos avanços tecnológicos, mas pelas escolhas feitas por governos, empresas e trabalhadores.

 

Baseado no relatório "Um Momento de Escolha: Aproveitando a Inteligência Artificial para o Trabalho Decente", Houngbo destacou que os ganhos de produtividade gerados pela IA precisam ser acompanhados por qualificação profissional, proteção social, fortalecimento da negociação coletiva e mecanismos de governança capazes de garantir transparência, responsabilidade e supervisão humana.

 

O alerta ocorre em um momento de crescente incerteza econômica global, marcado por conflitos geopolíticos, transformações demográficas e mudanças aceleradas nas competências exigidas pelo mercado de trabalho.

O Diretor-Geral da OIT participa da cerimônia de abertura da 114ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, 1º de junho de 2026. Créditos: OIT
O Diretor-Geral da OIT participa da cerimônia de abertura da 114ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, 1º de junho de 2026. Créditos: OIT

Os debates que devem influenciar os próximos anos

 

Ao longo da conferência, os debates foram conduzidos por diferentes comitês temáticos. O Comitê sobre Trabalho Decente na Economia de Plataformas discutiu a criação de normas internacionais voltadas aos trabalhadores de aplicativos e plataformas digitais.

 

O Comitê sobre Igualdade de Gênero analisou políticas para ampliar a participação feminina no mercado de trabalho diante das transformações tecnológicas, ambientais e demográficas.

 

Já o Comitê de Diálogo Social e Tripartismo debateu formas de fortalecer a cooperação entre governos, empregadores e trabalhadores para enfrentar os desafios da digitalização, do envelhecimento populacional e das desigualdades crescentes.

 

Outro destaque foi o Comitê de Aplicação de Normas, responsável por acompanhar como os países implementam as convenções internacionais do trabalho.

 

Convenção histórica para trabalhadores de plataformas

 

O principal resultado da conferência foi a aprovação da primeira Convenção Internacional sobre Trabalho Decente na Economia das Plataformas.

A nova norma estabelece parâmetros globais para proteger milhões de trabalhadores que atuam por meio de plataformas digitais.

 

Entre os temas contemplados estão liberdade sindical, negociação coletiva, proteção contra discriminação, segurança e saúde ocupacional, remuneração adequada, proteção de dados pessoais e transparência na utilização de algoritmos e sistemas automatizados.

 

A convenção também reconhece que a transformação digital cria oportunidades importantes para trabalhadores e empresas, mas exige mecanismos capazes de assegurar concorrência justa e condições adequadas de trabalho.

 

Mobilidade laboral entra no centro das discussões globais

 

Outro tema que ganhou força em Genebra foi a mobilidade internacional de trabalhadores. Durante a conferência, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a World Employment Confederation (WEC) formalizaram uma parceria estratégica para ampliar a cooperação em programas de mobilidade laboral internacional.

 

O objetivo é aproximar governos, empregadores e serviços privados de emprego para criar caminhos mais seguros, éticos e eficientes para a circulação internacional de trabalhadores, especialmente em um cenário de escassez de mão de obra e crescente demanda por competências específicas em diversos países.



O papel da WEC nos debates

 

A presidente da WEC, Bettina Schaller, teve participação ativa ao longo da conferência. Além de representar o setor privado de serviços de emprego nas discussões internacionais, Bettina apoiou as posições dos empregadores nos principais comitês técnicos da conferência, participou da formalização da parceria com a OIM, presidiu uma sessão dedicada à mobilidade laboral internacional e manteve reuniões com representantes governamentais de diversos países, entre eles Brasil, França, Alemanha, China, México, Tanzânia e Etiópia.

 

Bettina levou ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, pautas defendidas pela Fenaserhtt relacionadas à acumulação de benefícios sociais com contratos temporários, à revisão da base de cálculo das cotas de PCD e aos impactos da estabilidade da gestante no trabalho temporário.

 

As propostas foram construídas pela delegação brasileira formada por Danilo Padilha, Fernando Calvet e José Augusto durante a World Employment Conference 2026, em Toronto, demonstrando a relevância da articulação internacional da Federação e o importante apoio da WEC na ampliação do diálogo sobre temas estratégicos para a empregabilidade, a segurança jurídica e o futuro do trabalho no país.

 

A atuação reforça o papel da WEC como interlocutora global nas discussões sobre o futuro do trabalho, inteligência artificial, mobilidade de talentos e transformação dos mercados laborais.

 

O que isso significa para o Brasil

 

Embora muitas das discussões ocorram em âmbito internacional, seus reflexos tendem a influenciar legislações, políticas públicas e modelos de trabalho em diversos países, inclusive no Brasil.

 

Por essa razão, a Fenaserhtt acompanha de forma permanente os debates conduzidos pela OIT, pela WEC e pelos organismos internacionais relacionados ao emprego e às relações de trabalho.

 

Temas como inteligência artificial, trabalho temporário, plataformas digitais, empregabilidade e mobilidade laboral devem continuar no centro das discussões globais nos próximos anos e terão impacto direto sobre empresas, trabalhadores e o ambiente de negócios.

 

Fonte: OIT e WEC Global


 
 
 

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