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Artigo - Redução da jornada e fim da escala 6x1

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    Sindeprestem
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Modernizar relações de trabalho não pode significar ignorar a realidade das empresas

Por Vander Morales - Presidente do Sindeprestem e da Fenaserhtt



O debate sobre redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1 é legítimo. O mundo do trabalho mudou, os profissionais mudaram e as empresas também precisam evoluir. Não existe dúvida sobre isso.


Também é legítimo discutir jornadas mais equilibradas, saúde mental, qualidade de vida e modelos de trabalho mais sustentáveis para os profissionais. Empresas produtivas também dependem de ambientes saudáveis, equipes engajadas e relações de trabalho equilibradas, mas existe uma preocupação que o setor produtivo não pode ignorar: quem vai absorver o impacto operacional, financeiro e contratual dessa mudança?


No setor de serviços, terceirização e trabalho temporário, estamos falando de operações que funcionam todos os dias, muitas vezes 24 horas por dia, atendendo hospitais, aeroportos, logística, limpeza, segurança, indústria, comércio e serviços essenciais para o funcionamento da economia brasileira.


Na prática, reduzir jornada significa aumentar escala, ampliar equipes, reorganizar contratos, rever produtividade e absorver custos adicionais em um ambiente que já convive com insegurança jurídica elevada, pressão operacional e margens cada vez mais apertadas.


O debate não pode ser tratado apenas no campo político ou ideológico. Ele precisa considerar a realidade de quem emprega, opera, investe e sustenta milhares de postos formais de trabalho no país.


Tenho defendido há muito tempo que mudanças dessa dimensão precisam passar prioritariamente pela negociação coletiva. Inclusive, o avanço da discussão no Congresso já começa a produzir propostas alternativas para o modelo aprovado na Câmara. Entre elas, está a PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho, que propõe um sistema de “horário flexível”, baseado na remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas e em maior flexibilidade na organização das jornadas conforme a realidade de cada atividade econômica.


A proposta prevê a possibilidade de jornadas diferenciadas, com remuneração proporcional ao tempo trabalhado, preservando direitos constitucionais como férias, 13º salário, FGTS e horas extras. O texto surge como um contraponto ao modelo mais rígido de limitação da jornada semanal e amplia o debate sobre alternativas capazes de conciliar proteção ao trabalhador, produtividade e sustentabilidade operacional das empresas.


Independentemente das posições sobre cada modelo em discussão, o surgimento dessas alternativas demonstra que o tema ainda está em construção e reforça a necessidade de soluções equilibradas, que considerem a diversidade dos setores econômicos e a realidade do mercado de trabalho brasileiro.


Nenhum setor econômico funciona da mesma forma. Nenhuma operação possui a mesma dinâmica. E tentar aplicar uma solução única para atividades completamente diferentes pode gerar mais distorções do que avanços.


A negociação coletiva permite equilíbrio. Permite construir jornadas compatíveis com a realidade de cada segmento, preservar empregos, manter competitividade e reduzir insegurança jurídica.


O próprio avanço da proposta mostra que o tema continuará gerando ajustes, discussões e necessidade de construção no Senado Federal. E é justamente nesse momento que o setor produtivo precisa ser ouvido com responsabilidade e seriedade.


As empresas não estão pedindo privilégio. Estão pedindo previsibilidade. O empresário brasileiro já convive diariamente com aumento de custos, complexidade regulatória, judicialização excessiva e dificuldade para planejar o próprio crescimento. Mudanças estruturais precisam considerar capacidade de adaptação das empresas e sustentabilidade das operações.


No caso dos contratos terceirizados, especialmente aqueles vinculados ao poder público, a preocupação é ainda maior. Existem dúvidas importantes sobre reequilíbrio econômico-financeiro, recomposição contratual e capacidade orçamentária diante do aumento dos custos operacionais.


O setor de serviços é um dos maiores geradores de empregos formais do Brasil. E qualquer mudança que afete diretamente sua estrutura operacional impacta contratação, competitividade e geração de oportunidades.


O Sindeprestem e a Fenaserhtt continuarão acompanhando ativamente a tramitação da proposta no Senado Federal, dialogando com parlamentares, setor produtivo e entidades representativas para defender soluções equilibradas, modernas e compatíveis com a realidade das empresas e dos trabalhadores.


Modernizar as relações de trabalho é importante. Mas modernizar também significa construir soluções sustentáveis, responsáveis e aplicáveis na prática.

 
 
 

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