WEC 2026: os principais aprendizados da Fenaserhtt sobre IA, talentos e futuro do trabalho
- Sindeprestem

- 20 de mai.
- 3 min de leitura
Conferência global no Canadá reuniu lideranças de mais de 50 países para discutir inteligência artificial, mobilidade de talentos, compliance e o futuro das relações de trabalho
A Fenaserhtt participou da World Employment Conference 2026 (WEC 2026), realizada nos dias 13 e 14 de maio, em Toronto, no Canadá, principal encontro global da indústria privada de serviços de emprego. Com o tema “Grow with Talent” (“Crescer com Talento”), a conferência reuniu CEOs, especialistas jurídicos, representantes governamentais e lideranças de mais de 50 países para discutir os desafios e transformações do mercado de trabalho global.
Representando o Brasil, participaram o vice-presidente da Fenaserhtt, Danilo Padilha; o diretor executivo da Federação, Fernando Calvet; e José Augusto, presidente da WEC Latam.
A Fenaserhtt também entregou formalmente à presidente da World Employment Confederation (WEC), Bettina Schaller, um documento com pautas consideradas prioritárias para o setor brasileiro de serviços de emprego, que serão levadas à Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre os temas apresentados estiveram:•Possibilidade de acumulação de benefícios sociais com contratos temporários;•Mudanças na base de cálculo das cotas de PCD no trabalho temporário;•Impactos da estabilidade da gestante em contratos temporários após mudança de entendimento do TST.

Inteligência artificial já transforma o mercado de trabalho
Um dos temas centrais da WEC 2026 foi o avanço acelerado da inteligência artificial sobre recrutamento, gestão de talentos e relações de trabalho.
O CEO global da ManpowerGroup, Jonas Prising, apresentou dados apontando que habilidades relacionadas à inteligência artificial passaram a liderar a escassez global de talentos pela primeira vez. Segundo ele, cerca de 70% das competências profissionais devem mudar até 2030.
Já no painel “AI Innovation: Threat or Opportunity for HR Services?”, especialistas alertaram para riscos jurídicos relacionados ao uso indiscriminado de IA em recrutamento sem auditoria, governança e supervisão humana adequada. O consenso entre os participantes foi que a inteligência artificial deve ampliar capacidades humanas e não substituir totalmente decisões relacionadas à contratação e gestão de pessoas.
Compliance virou diferencial competitivo
Outro tema de forte destaque foi a crescente complexidade regulatória do mercado de trabalho global.
Especialistas defenderam que compliance deixou de ser apenas obrigação administrativa e passou a representar diferencial competitivo para empresas de serviços de emprego.
Os debates envolveram:• Transparência salarial;• Classificação de trabalhadores;• Regulação de plataformas digitais;• Auditoria de inteligência artificial;• Responsabilidade trabalhista em modelos flexíveis de contratação.
Escassez global de talentos preocupa governos e empresas
A conferência também trouxe forte preocupação internacional com:
• Envelhecimento populacional;• Falta estrutural de mão de obra qualificada;• Mobilidade internacional de trabalhadores;• Transformação das competências profissionais;• Necessidade de requalificação acelerada.
Representantes de governos e organismos internacionais defenderam maior integração entre setor privado e políticas públicas para enfrentar os desafios relacionados à empregabilidade e produtividade.
Empresas de staffing caminham para modelos mais estratégicos
Outro ponto recorrente nas discussões foi a transformação das empresas de staffing e serviços de emprego.
Executivos globais defenderam que o modelo tradicional, baseado apenas em intermediação de mão de obra, vem sendo substituído por estruturas mais consultivas, especializadas e apoiadas em tecnologia.
Também ganhou destaque o avanço do modelo Employer of Record (EOR), utilizado para contratação internacional de trabalhadores sem necessidade de abertura de empresa local.
Segundo especialistas, o crescimento do trabalho remoto global deve acelerar ainda mais a demanda por soluções internacionais de contratação e compliance.

Brasil chamou atenção pelas discussões regulatórias
Durante sua participação, Danilo Padilha apresentou aos representantes internacionais os principais desafios regulatórios enfrentados atualmente pelo setor brasileiro. “As pessoas ficaram impressionadas com a complexidade regulatória brasileira, o peso da Justiça do Trabalho e o nível de obrigações existentes nas relações de trabalho”, afirmou.
Segundo ele, enquanto o mundo discute flexibilidade, mobilidade de talentos e competitividade, o Brasil ainda enfrenta desafios ligados à insegurança jurídica e ao excesso de burocracia.
José Augusto, presidente da WEC Latam, destacou que a conferência evidenciou as transformações que já impactam os mercados de trabalho em escala global. "Os debates da WEC 2026 mostraram que inteligência artificial, mobilidade de talentos, produtividade e regulação já são prioridades globais para o futuro do trabalho”, concluiu.
Para o presidente da Fenaserhtt, Vander Morales, acompanhar as discussões internacionais é importante para entender tendências que impactam diretamente o setor de serviços no Brasil.




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