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VALOR ECONÔMICO

O desempenho da economia ficou aquém do esperado e a concorrência apertou, mas ainda assim 2019 vai deixar saudade para os grandes bancos. O lucro líquido combinado de Itaú Unibanco, Banco do Brasil (BB), Bradesco e Santander cresceu 18,4% no ano passado e atingiu R$ 86,6 bilhões, o maior valor nominal da história. Porém, as condições que levaram a esse resultado não vão se repetir tão cedo. Os números fortes do ano passado vieram de uma combinação muito benéfica de fatores. Uma retomada expressiva da demanda por crédito, o foco em linhas mais rentáveis, o ajuste das despesas operacionais e um processo de “arrumação da casa” no BB jogaram a conta para cima. Essas condições continuam válidas, e o cenário para os bancos está longe de ser ruim. Mas algumas variáveis novas devem moderar os lucros em 2020 depois de uma sequência de três anos de grande expansão. O fim do ciclo de cortes na taxa Selic, a nova regra para o cheque especial e uma carga tributária mais pesada são “ventos contrários” para o setor em 2020, nas palavras de Candido Bracher, presidente do Itaú.

É preciso adicionar à lista o efeito ainda incalculável de um ambiente mais competitivo, com o Banco Central (BC) liberando amarras em áreas que antes eram mercado cativo das instituições financeiras tradicionais. Vêm aí o open banking, os pagamentos instantâneos e uma maior abertura para fintechs e bancos pequenos atuarem, por exemplo, no recebimento de contas de serviços públicos. “Vai ter mais concorrência, vai ser mais difícil, vai exigir mais de todos nós” , afirmou o presidente do Santander, Sergio Rial, ao falar sobre a transformação digital no setor ao longo dos próximos anos. Estimativas feitas pelos analistas com base em informações fornecidas pelas próprias instituições financeiras sugerem lucros aumentando entre 1% e 7% no caso dos bancos privados e em ritmo mais forte no BB. O banco estatal prevê um crescimento de 4% a 15% em seu resultado líquido ajustado neste ano. O Banco do Brasil chegou mais tarde que os concorrentes no ciclo de retomada do crédito e passou o último ano reformulando seu modelo de negócios. A instituição colocou o pé no freio na concessão de empréstimos a clientes do atacado, o que reduziu sua carteira, mas melhorou a rentabilidade.

A carteira de crédito combinada desse conjunto de bancos totalizava R$ 2,425 trilhões no fim de dezembro, o que representa uma alta de 7,6% em um ano. Porém, o número geral esconde uma diferença relevante na atuação dessas instituições financeiras. Se excluído da conta o BB, o estoque teria crescido 12,2%, para R$ 1,744 trilhão. Com a economia ganhando tração, a expectativa é que o crédito continue em ritmo forte. As projeções de crescimento vão de 8,5% a 13% nas carteiras dos bancos privados. O Banco do Brasil continuará avançando um pouco mais devagar que os pares, mas voltará a crescer: estimativa feita pela instituição aponta alta de 5,5% a 8,5% em seu portfólio, excluídas transações com o governo. A tendência de que os juros se mantenham baixos por um período prolongado e a inflação continue sob controle alimenta as projeções. “Isso abre possibilidade para expansão de crédito” , afirmou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr.

Na reta final do ano passado, os bancos viram inclusive as grandes empresas voltando a buscar crédito bancário - embora continuem apontando o mercado de capitais como a fonte primordial de financiamento para elas. As instituições têm priorizado operações com pessoas físicas e pequenas e médias empresas, mais rentáveis. É dessa forma que o setor vem compensando o efeito da queda na taxa Selic e evitado uma redução mais visível no spread médio. Só que esse ganho vai ficando menor à medida que a carteira gira e as operações são renovadas. Por isso, daqui para a frente será necessário fazer um volume maior de crédito para fazer a margem financeira crescer.

Em 2019, a margem bruta combinada dos bancos aumentou 6,7%, para R$ 180 bilhões. As projeções feitas pelos bancos sugerem um desempenho bem mais fraco neste ano. Além da reprecificação das carteiras em taxas menores, o indicador será afetado pela regra que impôs um teto de 8% ao mês nos juros do cheque especial. Bracher estimou que a medida terá um peso de 5% na margem do Itaú. “É uma redução de resultado mesmo. Não tem compensação” , disse.

Ganhar escala também é estratégico para compensar as pressões sobre as receitas de serviços, em que o impacto da chegada de concorrentes tem sido mais notável. “A expectativa é trazer mais clientes e, com isso, trazer massa crítica maior para que a gente possa ter mais receita de serviços” , disse Lazari, do Bradesco, banco que abriu 1,8 milhão de contas correntes em 2019. Ao mesmo tempo, controlar as despesas passou a ser a “palavra de ordem” , uma forma de tornar a estrutura mais enxuta para competir num ambiente de tarifas e juros pressionados.

O Itaú, pela primeira vez, projetou que poderá ter uma queda nas despesas operacionais - o “guidance” vai de redução de 2% a uma alta de 1% no indicador em 2020. O Bradesco segue a cartilha de reduzir o número de agências e de funcionários. Promoveu em 2019 um plano de desligamentos voluntários que contou com 3,4 mil adesões. No caso das agências, foram 139 encerradas em 2019, mas serão 300 neste ano. O Santander, por sua vez, aposta no uso mais eficiente de dados. “Estamos entrando nas vísceras da organização para entender como as coisas são manufaturadas” , disse Rial. Em meio aos ajustes, os banqueiros enxergam em 2020 um cenário mais desafiador, mas mantêm esperança de melhoria nos anos seguintes. “Tenho razões para acreditar que o resultado em 2021 será sensivelmente melhor” , disse Bracher.

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