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18/11/2019 | Endividamento das empresas e retomada do crescimento (José Roberto Mendonça de Barros) - O Estado de S. Paulo

Parte dos analistas brasileiros está bastante otimista com o cenário para o futuro próximo. Esta visão se apoia numa avaliação de que o pior na situação internacional já aconteceu e que, domesticamente, há um movimento consistente de melhora na atividade, apoiado no crédito.

Embora seja inequívoco que a economia esteja melhorando, sou mais cauteloso. Não considero que o mercado internacional já tenha passado pelo pior momento, como os dados da China, do Japão, da Alemanha e da guerra comercial da semana passada demonstraram. Pela milésima vez anuncia-se que o acordo da fase 1 está praticamente pronto, mas ele não ocorre.

Ao mesmo tempo, e a despeito da melhora do crédito, não creio que as expectativas positivas quanto ao futuro estejam consolidadas, tanto na economia quanto na política.

Neste último caso, as reformas podem ser retardadas por conta dos dissensos políticos, da antecipação da corrida sucessória e da radicalização dos extremos do espectro político. Ademais, a agenda do Congresso está congestionada por um grande número de projetos, todos relevantes, mas sem ordem de prioridades e com disputa de protagonismo. 

A experiência mostra que, também nesses casos, as decisões parlamentares tendem a uma certa paralisia. É perfeitamente possível que mais nada de relevante seja aprovado neste ano, além do Orçamento.

Na economia, ainda existem muitas dificuldades. Falo aqui do mercado de trabalho e seu peso na demanda, e nas empresas ainda muito pressionadas pelas recuperações judiciais e pelo endividamento.

No caso do mercado de trabalho, já é bastante conhecido que temos quase 25 milhões de pessoas entre desempregados, desalentados e os que trabalham em tempo parcial mas que gostariam de trabalhar a jornada integral. Com esta pressão e a falta de qualificação de boa parte das pessoas, os salários reais dos novos admitidos sobem pouco: 0,58% e 0,20% em 12 meses nos serviços e na indústria, enquanto caem 0,36% no comércio e 0,97% na construção civil.

Não surpreende, portanto, o fraco desempenho dos segmentos que dependem mais dos salários que do crédito. 

O volume de vendas de supermercados cresceu apenas 0,8% nos 12 meses terminados em setembro. Tecidos, vestuário e calçados apresentaram expansão de 0,5% e móveis e eletrodomésticos ficaram totalmente estagnados.

Do lado das empresas ainda há um grande peso sobre muitas, expresso no grande número de companhias em recuperação judicial (RJ) e da baixa capacidade de geração de caixa de muitas delas. A melhor fonte disponível para avaliar este ponto é o trabalho do Cemec, coordenado pelo prof. Carlos Rocca, da Fipe. O relatório de julho deste ano revela o quanto a crise ainda pesa sobre as empresas, e por consequência, sobre a recuperação econômica.

Os principais pontos a destacar são:

1 - O estoque de dívida (sem Petrobrás) caiu muito pouco desde o pico de 2015, o que pesa numa economia que não cresce.

2 - Muitas empresas não conseguem gerar caixa para pagar as despesas financeiras, ou seja, têm de continuar a tomar empréstimos. Empresas médias e pequenas estão em pior situação.

3 - Quase 20% das empresas abertas na amostra do Cemec ainda têm geração de caixa negativa. 

Ou seja, muita gente ainda vai deixar o mercado.

Uma outra forma de olhar o problema é verificar que a maioria das empresas em RJ quebra ou vira zumbi, mostrando que a experiência com a nova lei não foi bem-sucedida. 

Voltarei a este ponto em outra ocasião, mas gostaria de relatar aqui uma pequena experiência que fiz na semana passada. Perguntei a oito executivos financeiros (entre presidentes e diretores de crédito) qual o caso bem-sucedido de empresa que saiu de uma recuperação judicial reorganizada e em condições de crescer no mercado. NENHUM caso foi relatado e eu também não conheço ninguém.

A volta ao crescimento ocorrerá, mas será ainda relativamente lenta.

Discussões jurídicas à parte, que não me cabem, duas coisas são inequívocas a propósito do julgamento do STF sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância:

1 - Nada disso teria ocorrido não fosse a prisão do ex-presidente Lula.

2 - Fica a certeza de total impunidade para quem é rico e poderoso para pagar grandes advogados.

O resto são paisagens.

*ECONOMISTA E SÓCIO DA MB ASSOCIADOS. ESCREVE QUINZENALMENTE

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