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12/07/2019 | Alexandre Frota, o articulador improvável - Valor Econômico

Elogiado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o deputado Alexandre Frota (PSL-SP) desponta na reta final da votação da reforma da Previdência como o improvável articulador da proposta na Casa. O ativista empedernido que bradava contra o PT e a corrupção desenfreada do alto dos trios elétricos nas manifestações de rua transformou-se no parlamentar habilidoso, frequente nas reuniões de articulação na casa de Maia, e apontado como a "voz do PSL" nas reformas econômicas do governo.

O parlamentar que não se reconhece mais como ator - e sim como "político em fase de aprendizado" - repetirá o papel de coordenador da bancada na comissão especial da reforma tributária a pedido de Maia. "O Alexandre pra mim é uma surpresa, era um perfil que nem eu nem ninguém imaginava, mas tem sido talvez o principal articulador do PSL na reforma", disse o presidente da Câmara em um depoimento sobre o aliado. Frota é cauteloso ao se referir ao Centrão, o maior bloco da Casa, a quem Rodrigo Maia agradeceu o esforço de aprovação da reforma. Mesmo favoráveis à proposta, deputados do bloco são alvos recorrentes dos protestos de rua e nas redes sociais. "Eu não chamo eles de Centro, chamo de moderados", esclarece. Sobrinho-neto do general Sylvio Frota (1910-1996), que foi ministro do Exército no governo Geisel, Alexandre Frota é amigo do novo ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, e bem relacionado com os militares.

Ele reclama da ausência do vice-presidente Hamilton Mourão na cena política. "Mourão está apagado, sumido. Não sei se ele poderia estar ajudando [na discussão da reforma]. Mas a gente trabalha contra uma organização criminosa, e é difícil pra esquerda hoje tentar algo sabendo que o Exército tem essa presença firme no governo", analisa. "Acho que não tentam impeachment contra o Jair [Bolsonaro] porque assumiria o Mourão, e o que a esquerda não quer é um general presidente", completou. Frota diz não se interessar pela história do tio-avô, que foi refratário à abertura democrática deflagrada na gestão de Geisel. "Não me interesso muito por isso, é um passado com o qual não tive contato." Mas enaltece a participação dos militares no atual governo, e assegura que o general Luiz Eduardo Ramos tem aptidão para o cargo de articulador político. "É uma pessoa bem humorada que vai transitar bem, é determinado, cumpridor dos deveres e das missões que receber".

Frota aplica a disciplina dos quartéis ao exercício do primeiro mandato: está acordado por volta das 4h30, chega cedo ao gabinete da liderança (é vicelíder do partido), reúne-se com técnicos e aliados e ajusta a programação do dia nas comissões e no plenário. Uma semana antes da votação, afixou nas paredes do gabinete as planilhas com o mapeamento dos votos distribuídos por bancadas, distinguindo SIM e NÃO com marca-texto de cores diferentes. Curiosamente, uma prática que se tornou marca de um dos expoentes do que Bolsonaro chama de "velha política": o ex-ministro da Casa Civil Eliseu Padilha. Frota computava 331 votos, mas sem contabilizar os 39 deputados do PP. Com a sigla que já apoiava a reforma, o placar de Frota indicaria 370 votos - muito próximo do surpreendente resultado final. "Pode entrar aí em vários gabinetes, você não vai encontrar um mapa organizado. Isso é produção", definiu.

Após a desastrosa audiência pública com Paulo Guedes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), concluída com a resposta "Tchutchuca é a mãe!" do ministro para um petista, Frota foi escalado pela cúpula do PSL para traçar uma estratégia de articulação da bancada nas comissões e de blindagem do governo durante o debate da reforma. "Coordenei bem os deputados: quem ia falar, em qual dia, fui distribuindo os tempos de líder, organizei tudo, produzo bem esse tipo de coisa". Frota atribui essa habilidade aos 30 anos de trabalho na televisão, em especial na área de produção. "Ser organizado, chegar mais cedo, saber quem é quem, saber por onde entra, por onde sai; se tiver uma confusão, saber qual é a rota de fuga; onde receber o Paulo Guedes, por onde ele vai sair, onde ele vai lanchar, se o corredor está limpo, se a Depol [política legislativa] já cercou", enumera.

Ele rechaça as críticas à liberação das emendas pelo governo na véspera da votação. "Não são emendas para comprar votos, os deputados têm direito, apenas eles [governo] tomaram a iniciativa de adiantar essas emendas". Também defende a legitimidade dos parlamentares nomearem seus indicados para os cargos estaduais. Diz que esse pleito não é encaminhado pra ele, e sim para o líder da bancada, Delegado Waldir (PSL-GO). "Não acho nada demais se o deputado tem direito a cargos, o PSL aqui na Câmara tem direito a 110 cargos. Não é jogadinha nem dinheiro na mala, é legal".

Há cerca de dois meses, Frota entrou em rota colisão com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que assumiu a presidência do diretório estadual em São Paulo. Frota foi a público e também acionou a Justiça em confronto aberto com o filho do presidente, cobrando dele auditoria das contas do partido. Agora eles conversaram e acertaram que Frota cuida do partido na Câmara, e Eduardo no Estado. "A gente levantou uma bandeira branca momentânea: ele diz que vai fazer um grande trabalho, e eu cuido do plenário". Frota ressalva, entretanto, que continua esperando receber a auditoria das contas do partido.

Eles também estão em lados opostos na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Frota já declarou apoio à deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, enquanto Eduardo prefere convencer o apresentador José Luiz Datena a se candidatar. Na hipótese do próprio Eduardo postular a candidatura, Frota defende que o impasse seja levado a voto no partido. Com seis meses de mandato, Frota já deixou claro que não repetirá a trajetória de outras celebridades que se elegeram, mas encontraram o anonimato no parlamento.

Outros famosos como Frank Aguiar, Sérgio Reis e Stepan Nercessian nunca se projetaram na Câmara, enquanto Frota vem se consolidando como líder informal do partido. Egresso dos movimentos de rua, com uma imagem negativa do Legislativo e dos políticos, Frota agora encara a realidade do outro lado do balcão. "Quando você vem da rua, vem com outra cabeça. Mas aqui tem regras, regimento, leis. Você não faz nada sozinho: se não tiver acordos, parcerias, não consegue trabalhar os seus projetos e nem subir pra falar", ensina. "Aqui dentro, a gente entende o sistema de outra maneira", admitiu. "É importante abrir o diálogo com todos que transitam aqui dentro: deputados, ministros, senadores. É importante transitar em todas as tribos, ter porta aberta, independente de opção partidária".

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