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05/07/2017 | No meio do caminho - O Estado de S.Paulo

 

Rafael Cagnin*

 

Em 2017, a indústria deixou para trás um período de intenso e continuado recuo de sua produção, mas nem por isso pode-se afirmar que o setor já esteja em marcha de recuperação. O que há é um estancamento da crise. A indústria encontra-se no meio do caminho entre a derrocada e a retomada, sem nenhuma garantia de que sairá deste estágio rapidamente.

 

O crescimento obtido na margem em abril e agora em maio foi apenas capaz de fazer frente ao declínio mais acentuado de março. Como os resultados de janeiro e fevereiro foram medíocres, o quadro geral é de mera estabilidade.

Não que isso seja desprezível, mas é claramente insuficiente frente à magnitude das perdas dos últimos anos. Depois de cair quase 20% entre 2014 e 2016, crescer 0,5% no acumulado dos primeiros meses de 2017 é muito pouco. Vale observar, ainda, que o segmento manufatureiro continua em queda. Não fossem as atividades extrativistas, a indústria ainda estaria no vermelho.

 

 

Além disso, são poucos os setores que têm apresentado trajetórias mais consistentes de crescimento, geralmente associadas à ampliação das exportações ou a fatores cujos efeitos positivos podem não se repetir na mesma intensidade nos próximos meses.

 

O aumento das vendas externas tem sido fundamental para o crescimento da produção de veículos, bem como de outros ramos associados à indústria automobilística, enquanto a excepcional safra agrícola do começo do ano tem alavancado a produção de bens de capital para este setor. Ambos os fatores também podem ter favorecido a expansão de bens de capital para transporte.

Outros setores, como eletrodomésticos, mas também vestuário, calçados e têxteis, tiveram seus resultados influenciados pela injeção de recursos provenientes dos saques das contas inativas do FGTS, pela existência de uma demanda reprimida por dois anos de crise aguda, pela recomposição parcial das concessões de crédito às famílias e pela desaceleração da inflação.

 

Em contrapartida, aqueles que refletem mais de perto o dinamismo na demanda doméstica, a exemplo de alimentos e combustíveis, além de produtos farmacêuticos, têm dado poucos sinais de reação.

 

* ECONOMISTA DO IEDI

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