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19/05/2017 | Relator da reforma trabalhista suspende discussões - Valor Econômico

Relator da reforma trabalhista em duas das três comissões pelas quais ela tem de passar no Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) avisou aos senadores que, diante da crise institucional, a tramitação do projeto no Senado está suspensa temporariamente.

Até que se encontre um caminho para resolver a situação desencadeada pela delação da cúpula de executivos da JBS - que atinge diretamente o presidente Michel Temer e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) -, Ferraço não vê condições de dar seguimento à discussão da matéria.

O cronograma no mínimo vai atrasar. Havia expectativa de que Ferraço apresentasse o relatório na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na semana que vem. E, apesar da resistência articulada pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a aprovação era tida como provável, uma vez que o projeto conta com a simpatia de vários senadores e partidos da base e necessita apenas de maioria simples para ser aprovado.

"A crise institucional que estamos enfrentando é devastadora e precisamos priorizar a sua solução, para depois darmos desdobramento ao debate relacionado à reforma trabalhista", disse Ferraço. "Portanto, na condição de relator do projeto, anuncio que o calendário de discussões está suspenso. Não há como desconhecer um tema complexo como o trazido pela crise institucional. Todo o resto agora é secundário."

Avaliação semelhante fez o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO). Ele disse que neste momento o Congresso Nacional "não tem nenhuma condição" de tocar as reformas promovidas pelo governo Michel Temer.

"Nós temos de priorizar aqui os assuntos mais relevantes. Não existe nada mais relevante do que o momento que nós estamos vivendo. Não existe outra matéria que possa ser priorizada na pauta diante de uma situação inédita", disse ele. "Tenho 22 anos de Congresso Nacional. E realmente, diante de um quadro como esse, não tem nenhuma condição de colocar nenhum outro tema em debate na Câmara dos Deputados nem no Senado Federal."

Outros senadores da base do governo também defenderam a paralisação da tramitação das reformas. "Neste momento, ao meu ver, todas as reformas que estão aí - a reforma trabalhista, a terceirização, a previdenciária, a reforma política -, seja qual for, têm de ser suspensas imediatamente", disse Telmário Mota (PTB-RR). "Nós temos de dar uma resposta à população, uma resposta da permanência da democracia. Nós temos de dar uma resposta à população, uma resposta da permanência da democracia. Nós temos de dar uma resposta à população da confiabilidade no sistema."

 

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