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09/06/2018 | Tecnologia avança, mas vagas de baixa qualificação ainda são predominantes - Folha de S. Paulo

País registra efeito das inovações digitais, com ascensão de ocupações como analista de pesquisa de mercado. No entanto, a criação de emprego continua puxada por postos que exigem pouca especialização, como cobradores e faxineiros

Érica Fraga e Guilherme Garcia

A recessão não arrefeceu a demanda de empresas por analistas de pesquisa de mercado, que adicionaram 6.671 novos postos ao seu estoque de trabalhadores entre 2014 e 2016.

A categoria integra uma minoria de 670 ocupações, entre mais de 2.300, que registrou expansão de vagas no mercado formal durante a crise.

Entre as cerca de 1.700 carreiras que encolheram no ciclo recessivo, está a de digitador. O declínio da profissão começou em meados da década passada e tem ganhado fôlego, o que culminou na eliminação de 5.888 vagas com carteira assinada de 2014 a 2016, ano mais recente para o qual há dados disponíveis.

As atividades desempenhadas por trabalhadores dessas duas ocupações têm sido afetadas por novas tecnologias, mas em direções opostas.

Os analistas de pesquisa de mercado atuam no planejamento estratégico das empresas. Usam ferramentas digitais para processar e examinar vasta quantidade de dados.

Já os digitadores são responsáveis por registrar e transcrever informações manualmente. A crescente digitalização de documentos e a difusão de equipamentos como scanners têm tornado esses profissionais obsoletos.

As tendências distintas de demanda por analistas e digitadores indicam que as transformações causadas pelas inovações das últimas décadas respingam no Brasil. São mudanças incipientes que estão longe de mudar a estrutura do mercado de trabalho do país, ainda dominado pelo emprego pouco qualificado.

Durante a crise, oito ocupações de baixa especialização –como atendentes de mercado, faxineiros e porteiros– foram responsáveis por metade das cerca de 900 mil vagas com carteira assinada adicionadas ao estoque das profissões que cresceram.

Essa, aliás, já havia sido a tônica do boom do emprego no período de crescimento, anterior à recessão.

Porém, a quantidade de profissionais atuando como biomédicos e analista de informações –ainda que pequena– também tem aumentado, enquanto a de cobradores, supervisores de caixas e soldadores enfrenta um processo de declínio.

Esses movimentos não parecem restritos a algumas ocupações. Setores mais sofisticados, como o de serviços de tecnologia da informação, destacaram-se entre os que geraram vagas entre 2011 e 2016.

Os números foram levantados pela reportagem da Folha na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), principal banco de dados do mercado formal no país.

Identificar e entender os efeitos desse processo de transformação é importante porque as inovações alteram muito a forma como as pessoas vivem e trabalham.

Foi assim na primeira revolução industrial, que levou ao nascimento da indústria têxtil, e na segunda, marcada pela descoberta da energia elétrica. Também tem sido assim com as duas ondas mais recentes, que começaram com o computador, avançaram com a internet e, agora, abarcam robótica, inteligência artificial e outras novidades.

Uma diferença relevante, porém, é que a velocidade de difusão da atual transformação digital tem sido muito mais rápida.

No livro "Aplicando a Quarta Revolução Industrial" (Edipro), o economista Klaus Schwab e o advogado Nicholas Davis lembram que o telefone levou 75 anos para alcançar o número de usuários atingidos pela internet em apenas uma década.

Isso ajuda a explicar o frenesi causado pelas indicações de que a automação tem o potencial de reduzir a necessidade de funcionários em certas tarefas. E não são apenas as funções repetitivas, desempenhadas por trabalhadores pouco escolarizados, que se mostram ameaçadas.

Mudanças na estrutura interna das empresas têm levado à eliminação de níveis hierárquicos intermediários, como supervisão e gerência, tendência batizada por especialistas de "esvaziamento do meio" ou "o mediano acabou".

Em sentido contrário, novas ocupações estão surgindo na esteira das transformações.

Perguntado sobre evidências disso, o engenheiro Marcelo Serigo, da consultoria de tecnologia Avanade, é assertivo: "Há muitas, sem dúvida. Minha função, por exemplo, não existia até pouco tempo atrás", diz ele, executivo de inovação em tecnologia (technology innovation officer for growth markets, em inglês).

Além do próprio posto, Serigo cita a criação de cargos especializados em olhar para o crescimento da empresa ("growth officer").

As novidades da revolução digital criam maior necessidade de inovação, planejamento e respostas rápidas para os problemas. A imensa quantidade de dados disponíveis em redes e nuvens que precisam ser traduzidos em informação estratégica demanda uma grande capacidade analítica.

Hoje, diplomas de ensino superior em áreas antes muito valorizadas, como engenharia e tecnologia da informação, podem não bastar na corrida por um bom emprego.

EMPRESAS VALORIZAM NOVAS HABILIDADES ALÉM DE FORMAÇÃO

Empresas sinalizam que, embora continue importante, a formação técnica precisa ser acompanhada de outras habilidades, como facilidade para trabalhar em grupo.

O economista David Deming, de Harvard, identificou exatamente isso em uma análise que fez das tendências do mercado de trabalho dos Estados Unidos entre 1980 e 2012.

De acordo com o pesquisador, os cargos que combinam doses elevadas de matemática e interface social são os que mais ganharam vagas e aumentos salariais no período.

Um estudo patrocinado pelo Banco Mundial identificou uma "pequena transição" para postos que demandam maior capacidade de comunicação também no Brasil, entre 1996 e 2006, quando ocorreu forte expansão da internet.

Os autores da pesquisa, Rita Almeida (Banco Mundial), Carlos Henrique Corseuil (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e Jennifer Poole (Universidade Americana), concluíram que a mudança ocorreu em meio a uma tendência mais ampla de redução dos trabalhos repetitivos e expansão dos postos mais qualificados.

Ainda há, porém, pouca investigação sobre os efeitos das novas tecnologias no Brasil, talvez porque o debate público esteja hoje dominado pelas consequências da recessão, como o desemprego e a informalidade elevados.

Uma discussão paralela dos dois temas poderia favorecer o desenho de políticas adequadas para lidar com pontos em comum das duas agendas, como o saldo entre ganhadores e perdedores.

"As novas tecnologias vêm sempre para melhorar a produtividade. Mas sem políticas adequadas para lidar com suas consequências, teremos mortos e feridos no meio do caminho", afirma o economista André Portela, da FGV-EESP (Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas).

A requalificação de trabalhadores deslocados é uma das medidas consideradas importantes. Poderia ajudar especialmente os desempregados há dois anos ou mais, que eram 17,4% da força de trabalho no primeiro trimestre de 2015 e atingiram 22,2% no mesmo período deste ano.

"O profissional que fica desempregado tanto tempo assim perde habilidades que havia adquirido com a prática do trabalho", diz o economista Sergio Firpo, do Insper.

A experiência de outros países indica que a oferta eficaz de cursos de reciclagem depende de diagnóstico bem feito dos segmentos mais promissores da economia e da capacitação exigida por eles.

BRASIL AINDA ESTÁ NO MEIO DO CAMINHO DA REVOLUÇÃO DIGITAL

Embora úteis para iluminar o debate, pesquisas sobre países distintos entre si nem sempre sugerem políticas públicas adequadas para todos.

Um dos estudos, por exemplo, mais citados recentemente no meio econômico é a análise de Daron Acemoglu e Pascual Restrepo, ambos do Massachusetts Institute of Technology (MIT), publicada em 2017, que revelou o impacto negativo -embora pequeno- da introdução de robôs industriais sobre a geração de postos de trabalho nos EUA.

Esse debate é ainda pouco relevante para o Brasil, onde havia só dez robôs para cada 10 mil trabalhadores da indústria, em 2016, contra 189 nos EUA, segundo a Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês).

As mudanças no mercado de trabalho do Brasil se mantêm ligadas à disseminação de tecnologias mais antigas.

Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com universidades, identificou que 77,8% das empresas industriais de médio e pequeno porte estão nos dois estágios iniciais –de um total de quatro– da revolução digital. Outras 20,5% se encontram no terceiro estágio e só 1,6% alcançou o quarto.

Isso significa baixo nível de automação na produção, pouco uso de tecnologias avançadas no contato com clientes e na administração de pedidos, assim como integração de sistemas ainda incipiente.

O grande espaço para que o país avance representa, no entanto, uma oportunidade. Em relatório recente, a consultoria McKinsey ressalta que países menos desenvolvidos podem obter grandes ganhos de produtividade com a adoção de novas tecnologias.

Essa evolução digital alimentaria queda de preços, aumento de renda e alavancaria a geração de empregos. Como o impacto da automação ainda tenderia a provocar menos disrupção do que em nações mais avançadas, o saldo entre cargos eliminados e novos poderia ser positivo.

"Há espaço para avançarmos na revolução digital, mas precisamos correr pois os países que ficarem para trás se tornarão menos competitivos", diz João Emílio Gonçalves, gerente-executivo de política industrial da CNI.

COLABOROU NATALIA PORTINARI

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