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14/02/2018 | IA vai eliminar ou mudar seu emprego? - Valor Econômico

Por Ulrich Spiesshofer

Algumas das últimas matérias foram impactantes: "A automação ameaça 800 milhões de empregos". "Os robôs estão vindo trabalhar". "Trabalharemos para robôs?". Com cada evolução na Inteligência Artificial (IA) e na aprendizagem mecânica, previsões de demissões maciças no mercado de trabalho se tornam mais extremas. No entanto, o crescente medo da obsolescência humana no local de trabalho é equivocado - como ilustrado há décadas, no que passou a ser conhecido como Paradoxo de Polanyi.

Em 1966, Michael Polanyi, acadêmico de Oxford, explicou por que as máquinas são imbatíveis em algumas tarefas e absolutamente incompetentes em outras. Ao avaliar as habilidades humanas, ele concluiu que "sabemos mais do que conseguimos dizer". Em outras palavras, os seres humanos se destacam em tarefas que não se consegue explicar de forma satisfatória como são realizadas. O fato de que não podemos explicar como fazer essas coisas - como escrever um soneto ou driblar uma bola de basquete - se correlaciona diretamente com a quase impossibilidade de programar uma máquina para fazê-las para nós.

Devido ao Paradoxo de Polanyi, é aceitável esperar que, enquanto a última onda de evolução em IA e automação redireciona o mercado de trabalho de forma dinâmica de várias maneiras - tornando certos trabalhos redundantes e criando novos que nem podemos imaginar nos dias atuais -, máquinas que pensam não estão prestes a substituir os seres humanos.

Quando um software de planilhas surgiu previu-se que dizimaria empregos na contabilidade. Mas o  número de contadores e auditores nos EUA cresceu. A nova tecnologia expandiu o escopo do que eles poderiam fazer e gerou maior demanda por seus serviços. 

Como exemplo, na Associated Press os programas de IA agora usam modelos para produzir milhares de artigos de notícias competentes - se não bastante elegantes -, com base em ganhos corporativos ou resultados nos esportes. No entanto, quando observamos atentamente o que as máquinas estão fazendo, vemos que é um trabalho repetitivo, que os jornalistas geralmente gostam de evitar. A nova tecnologia dá a elas mais tempo para sair, conversar com as pessoas e se informar cuidadosamente sobre o que está acontecendo no mundo real.

Novos desenvolvimentos impressionantes em IA, como o Watson da IBM e seu êxito na análise de dados médicos, suscitaram a preocupação de que em breve seja possível substituir funcionários em empregos que exigem mais habilidade e treinamento do que aqueles impactados por ondas passadas de automação.

Novamente, voltamos para o Paradoxo de Polanyi. Na atualidade, as máquinas ainda se destacam principalmente em tarefas que podem ser divididas em diversas etapas específicas. Sempre haverá espaço para que os humanos realizem coisas do tipo que fazem melhor. A maioria dos principais economistas concluiu que os avanços na automação influenciarão os tipos de empregos disponíveis no futuro - mas não resultarão em desemprego estrutural. 

Quando ouvimos falar de empregos que são "perdidos" como resultado de mudanças tecnológicas, geralmente são apenas descrições de cargos que se tornaram obsoletos. Profissões como "motorista de buggy" e "acendedor de luminárias" quase desapareceram no século 20, porém funcionários encontram emprego em novas tarefas, adequadas à época. Minha mãe, que tem 81 anos, recentemente perguntou ao neto o que ele deseja fazer quando crescer. A resposta "posso ser desenvolvedor de aplicativos" deixou-a intrigada.

Quando um software de planilhas apareceu na década de 1980 previu-se que ele dizimaria empregos na área de contabilidade. Na verdade, o número de contadores e auditores que trabalham nos Estados Unidos aumentou - de 1,1 milhão em 1985 para 1,4 milhões em 2016. A nova tecnologia expandiu o escopo do que os contadores poderiam fazer e gerou uma maior demanda por seus serviços. Esse é um dos subprodutos essenciais do aumento da produtividade - maior demanda pelos novos benefícios, que se tornaram possíveis pela tecnologia.

É verdade que alguns empregos tradicionais - como na mineração de carvão - agora contratam uma pequena fração dos números que empregavam antes de serem automatizados. Mas o mercado de trabalho continua evoluindo. Deve ser pouco surpreendente que agora existam mais pessoas trabalhando como projetistas de rede nos EUA do que como mineiros de carvão.

Se projetar redes não atrai a todos, outras novas oportunidades de emprego são ofertadas quase todos os dias - em campos como projeto de experiência do usuário, nanotecnologia e energia renovável... ou mesmo em artesanato e agricultura orgânica. A automação, em si, é agora uma indústria de US$ 200 bilhões, que cresce de 3 a 6% ao ano. Posso atestar que na minha empresa, e entre os inúmeros fornecedores e clientes, são oferecidos diversos trabalhos atraentes, tradicionais e emergentes.

Historicamente, o mercado de trabalho tem sido dinâmico e sempre continuará mudando. É nossa responsabilidade, como líderes, levar as pessoas conosco e fornecer orientação e suporte em um mundo cada vez mais rápido. A chave para administrar essas mudanças é a colaboração efetiva entre governo, educação e setor privado. Devemos trabalhar juntos para criar e implementar um novo ecossistema de desenvolvimento de pessoas que conte com programas de treinamento para candidatos a emprego que deles necessitem e atividades de desenvolvimento ao longo da vida para todos.

Devemos garantir que a educação, em todos os níveis, acompanhe as necessidades dos empregadores e as oportunidades disponíveis para os funcionários. O ritmo de mudança, a busca e o escopo da inovação tecnológica não têm precedentes e requer um novo pensamento no que se refere às pessoas, para garantir prosperidade para todos.

O medo de perder a subsistência para a automação tem estado presente há bastante tempo. No entanto, a ideia de que os humanos estão, de alguma forma, perdendo completamente para as máquinas é simplesmente imprecisa. Em vez de manipulações desnecessárias sobre os robôs se tornarem nossos mestres, devemos canalizar energias para dominar a robótica, a IA e outras novas tecnologias para vidas melhores e uma nova qualidade de empregos e prosperidade.

Ulrich Spiesshofer é CEO da ABB.

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