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08/02/2018 | Emprego, copo meio cheio ou vazio na hora do voto - Valor Econômico

No momento em que o brasileiro for às urnas, em outubro, a taxa de desemprego terá caído mais, mas à custa, principalmente, da criação de postos precários, informais. Boa parte de menor renda. A percepção da população sobre essa conjuntura poderá ser o fiel da balança para as candidaturas alinhadas ao governo de Michel Temer e também para aquelas da oposição. A ponderação é de economistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV) que participarão ontem de debate sobre mercado de trabalho na sede do Valor. A população pode ver um copo meio cheio (criação de vagas) ou meio vazio (aumento da informalidade). "Há recuperação do mercado de trabalho, mas parte de um ponto extremamente desfavorável", diz Armando Castelar Pinheiro, coordenador de Economia Aplicada do Ibre-FGV.

O desemprego surpreendeu em 2017 ao recuar mais rápido que o previsto) - por causa da informalidade - e em outubro deve chegar a 11,4%, ante 12,2% um ano antes, segundo estimativa da instituição. Em dezembro, a taxa ainda seria de dois dígitos, a 10,9%, a despeito da expectativa de aumento de 1,9% na população ocupada, o que seria a maior alta desde 2008. É um crescimento acima do 1,1% da população economicamente ativa (PEA) previsto para 2018. Ainda assim, o desemprego ainda ficaria em nível alto pelo resto da década, atingindo 9,6% ao fim de 2020. Com a inflação baixa, mas acima da registrada em 2017, a renda real deve subir lentamente, com alta média 0,7% ao ano até 2020.

Além de a taxa não retornar ao nível pré-crise nesta década, a qualidade do emprego deve continuar a se deteriorar ao longo do período. "Um ponto preocupante é que haverá um aumento mais acentuado no emprego informal que no formal", afirma Castelar. Segundo projeção do Ibre, a proporção de trabalhadores informais na população ocupada deve chegar a 50,1% em 2020. Em 2014, essa parcela era de 46,5%. O percentual não leva em conta os efeitos da reforma trabalhista.

Segundo Bruno Ottoni, economista e pesquisador do Ibre-FGV, haverá geração de emprego formal, que costuma responder à atividade econômica. O instituto estima aumento de 2,8% no PIB deste e do próximo ano e de 2% em 2020. Mas vagas sem carteira e por conta própria, contudo, tendem a predominar. "A informalidade responderá à pressão do que resta de bônus demográfico no país e será um escape para parte das pessoas que entrarão no mercado de trabalho, mas não encontrarão postos formais", diz. O economista-chefe da LCA Consultores e pesquisador do Ibre, Bráulio Borges, lembra que o custo de entrada no mercado de trabalho formal aumentou e e é também uma barreira à absorção de mais trabalhadores sob as regras da CLT. "Esse custo é mais alto do que já foi nos últimos 20, 25 anos. Isso exclui muita gente do mercado formal", afirma.

Fernando Holanda Barbosa Filho, também economista e pesquisador do Ibre, diz que parte dessa recuperação do mercado via trabalho informal é natural já que há incerteza quanto ao crescimento futuro da economia.  Ele lembra que em 2014 a economia já estava em queda, mas o mercado de trabalho não sentia os efeitos por haver dúvidas quanto à duração da crise. Agora ocorre o mesmo, mas em outra chave: não se sabe se a recuperação econômica será robusta. "O 1% de crescimento de 2017 não encoraja a contratar formalmente. Isso não deve acontecer até se ter certeza de que a economia vai crescer em nível mais elevado". 

Para Luiz Schymura, presidente do Ibre, do ponto de vista eleitoral, é importante a qualidade do emprego que está sendo criado. O aumento da ocupação que tem ocorrido desde o segundo trimestre de 2017 via ocupações precárias lança dúvidas sobre se o mercado de trabalho pode ser um bom cabo eleitoral. "De fato, [o presidente Michel] Temer vai entregar mais empregos. A percepção vai ser de melhora no número, mas não na qualidade do emprego. E qualidade é importante."

Das cerca de três milhões de ocupações geradas desde março de 2017, dois terços são por conta própria ou sem carteira assinada. "A população quer saber de dinheiro no bolso. Temer pode dizer que gerou três milhões de empregos, é o copo meio cheio. Mas haverá o pessoal do copo meio vazio que vai apontar a informalidade. A geração foi muito forte, ma, mas a qualidade não é a mesma dos postos gerados entre 2003 e 2008", diz Holanda, citando o período de grande formalização dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva.

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro Ibre, diz que, na eleição, a taxa de desemprego poderá ser um indicador mais importante a se observar do que o de atividade econômica. Para Bráulio Borges, se de um lado a velocidade de recuperação da economia dirá se haverá mais informais ou não, de outro, fatores estruturais - custo de entrada no mercado formal, tributação, insegurança jurídica - podem predominar. Tais fatores tendem a ser resolvidos pela reforma trabalhista, quando as novas regras passarem a se tornar a prática do mercado. "Na ausência da reforma, esse segundo conjunto de aspectos pode predominar. A recuperação cíclica está acontecendo, mas vai demorar para retomar o nível pré-crise", diz.

Outro ponto importante no jogo eleitoral é a retomada desigual do emprego entre as regiões do país. Holanda lembra a eleição presidencial de 2014, quando o PSDB, do candidato Aécio Neves, venceu nas regiões Sul e Sudeste, onde o desemprego já crescia naquele ano. Norte e Nordeste, que deram vitória a Dilma Rousseff, do PT, ainda registravam forte geração de vagas. "Não vou dizer que é o único fator [a determinar a eleição], mas se olharmos o pleito de 2014 e o mapa do emprego naquele ano, é perfeito", afirma.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, a taxa de desemprego iniciou 2014 em 9,3% e terminou o ano em 8,3% no Nordeste. No Sudeste, a desocupação subiu de 8% para 9,6% naquele ano.

Em 2017, os dados regionais do IBGE até setembro, os mais recentes disponíveis, mostram que o desemprego em ambas as regiões caiu, embora continue ainda bem alto - 13,2% no Sudeste e 14,8% no Nordeste - mas o efeito da crise nos Estados nordestinos deve ser sentido por um tempo maior. "Não fazemos projeção regional. Mas acredito que o Nordeste ainda vai sofrer. A região dependia muito das transferências, que podem ter sido afetadas pela crise", afirma Holanda, para quem esse fator poderia ser visto como benigno por uma eventual candidatura do ex-presidente Lula, pelo efeito de comparação com o passado.

No Sudeste, o Rio de Janeiro, continuará a destoar da região por mais algum tempo. Ali, o processo de deterioração do emprego se deu intensificou após a Olimpíada, quando as obras para os jogos foram entregues. A partir dali, as demissões na construção civil aumentaram e foram seguidas por outros setores. "O projeto olímpico postergou a crise no Estado", afirma Holanda. Mas fatores como a tragédia fiscal do RJ e a crise nos setores afetados pela operação Lava-Jato agravaram a situação.

Se o desemprego deve ser um fator central até outubro, a polêmica discussão sobre a mudança na regra de reajuste do salário mínimo deve passar ao largo do processo eleitoral. A tendência, para os economistas, é deixar a regra expirar.

 

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