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06/11/2017 | As dores e alegrias de empreender – O Estado de S.Paulo

A produção científica também pode ser o ponto de partida para pesquisadores que desejam transformar descobertas acadêmicas no próprio negócio. Porém, conforme apontam cientistas ouvidos pelo Estado, empreender com ciência no Brasil ainda carece de incentivo e de financiamento, além da dificuldade encontrada pelos profissionais para tornar a linguagem técnica acessível para o público e investidores.

 

Alguns deles, contudo, têm mais sorte na hora de atrair investimentos. É o caso do jovem de 19 anos Luiz Fernando da Silva Borges, fundador da Hermes Braindeck. “Durante o ensino técnico em informática, consegui bastante repercussão de um método que criei para o controle de prótese de braço, que permite articular o punho”, relembra. “Um dos maiores investidores anjo do Brasil viu a notícia e achou interessante. Nos encontramos, conversamos sobre as minhas pesquisas e falei de um novo projeto. Ele gostou, me ajudou a montar o negócio e passou a investir na pesquisa”, conta o empreendedor.

 

Segundo Borges, a empresa já tem três pedidos de patente em andamento. “Nosso novo produto explora a interface entre cérebro e máquina para estabelecer comunicação com pessoas em estado vegetativo.”

O produto consiste em uma maleta com materiais para o procedimento de comunicação. “Colocamos uma touca no paciente, que por sua vez é conectada a um computador que lê os sinais elétricos do cérebro. Também colocamos fones de ouvido e damos instruções para a pessoa imaginar, por exemplo, que está abrindo e fechando a mão direita, depois a mão esquerda, para que o cérebro produza sinais elétricos diferentes, identificados pelo programa. Assim, conseguimos confirmar se a atividade cerebral da pessoa está preservada”, explica o estudioso.

Borges afirma que a escala utilizada para classificar se o paciente está ou não em coma atualmente está ultrapassada. “Pessoas que já estiveram totalmente paralisadas e acordaram relatam que estavam escutando e sentindo. Em países em que a eutanásia é permitida, essa verificação pode definir o futuro de uma vida”, explica o jovem, que espera iniciar a comercialização dentro de dois anos. “Além de vender para hospitais e clínicas, a Hermes Braindeck vai prestar serviço. Teremos técnicos treinados nas principais capitais do Brasil, para que qualquer família possa solicitar o serviço pelo site”, conta ele.

 

CEO da Ananda Devices, Margaret Magdesian trabalha com pesquisa desde os 17 anos. Graduada em farmácia e bioquímica, com doutorado em ciências biológicas, ela conduziu pesquisas e deu aula na Universidade Federal do Rio de Janeiro até 2008, quando foi convidada para trabalhar no laboratório de neuroengenharia da McGill University, no Canadá. Enquanto estudava lesão neural, ela desenvolveu um chip de silicone para organizar as células no microscópio, que permite obter resultados 50 vezes mais rápido.

 

“Há dois anos, participei de uma competição e pedi a todos que usavam meus chips que me enviassem fotos dos resultados. Vi que minha invenção estava acelerando as pesquisas em Parkinson, Alzheimer, esclerose e várias outras doenças”, comemora Margaret.

 

Foi o ponto de partida para que ela decidisse empreender. “Percebi que meu impacto na ciência seria maior produzindo chips para ajudar outros pesquisadores a acelerar seus experimentos. Ganhei a competição de inovação e dois investidores de São Francisco se interessaram pela minha empresa.”

 

Margaret afirma que a linguagem técnica está entre as maiores dificuldade que os cientistas enfrentam ao empreender. “Usamos termos muito específicos e é difícil para as pessoas compreenderem. Fiz alguns treinamentos para melhorar nesse aspecto. Hoje, digo que faço ‘minicérebros’ num chip para testar medicamentos”, brinca.

 

A cientista concorda que desenvolver pesquisa no Brasil é difícil, porque o ambiente inovador nas universidades é mínimo. “Também é difícil patentear, os custos são altos e mesmo com toda a criatividade do brasileiro acabamos sendo consumidores de tecnologias e não inovadores. A falta de dinheiro impede que as grandes ideias se tornem grandes empresas. O Brasil todo perde muito com isso”, reflete a cientista.

 

Apesar dos entraves, Margaret conta que o crescimento da empresa têm sido positivo. “A recepção de nossos produtos por cientistas é excelente, vendemos para laboratórios de universidades como Harvard, Tufts e Paris. Aqui no Brasil, temos alguns clientes e em breve espero anunciar parcerias com centros de pesquisa.”

 

Fundada por cinco doutores, a OneSkin Technologies é fruto de pesquisas com células-tronco e bioinformática realizadas no Brasil. “Eu e duas colegas do doutorado percebemos o potencial de aplicação de nosso conhecimento. Após anos de estudo, queríamos transformar aquilo em algo que pudesse melhorar a vida das pessoas”, conta a sócia Caroline Reis.

 

Depois de participar de dois processos de aceleração no Brasil, foram aprovadas na aceleradora de biotecnologia IndieBio, localizada em São Francisco, na Califórnia. Hoje, a OneSkin está na fase de desenvolver produtos capazes de reverter o envelhecimento. “A tecnologia conta com vários parceiros interessados e os testes do produto mostram resultados.”

 

Caroline destaca como dificuldade a ausência de contato com o empreendedorismo durante o período de formação. “A mentoria, principalmente da área de validação do modelo de negócio, foi o que nos deu a primeira base para tentarmos estruturar a empresa.”

 

Alternativa. Pesquisadores do Brasil têm até 14 de outubro para fazer inscrição no Emerge Lab, laboratório de inovação voltado à formação e aprimoramento de projetos desenvolvidos por jovens, professores e profissionais de startups, com idade entre 16 e 35 anos.

 

Os projetos devem ser nas áreas de biotecnologia e saúde, eletrônica, física, química, agritech e engenharias. A iniciativa é financiada pela Fundação ARYMAX e oferece 50 bolsas. A inscrição deve ser feita no iniciativaemerge.org/emergelabs .

 

Para concretizar empresa, vale até fazer ‘vaquinha virtual’

 

Biólogo por formação, inventor por hobby. É assim que o fundador da Pluricell Biotech, Diogo Biagi, se define. Desde 2014, ele e dois sócios, também com formação técnica, vivem as dores e alegrias de empreender.

 

A empresa produz e comercializa células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), usadas por outros cientistas em suas pesquisas. Ele ressalta que o uso clínico do produto é vedado. “A ideia do negócio surgiu quando estava fazendo doutorado. Desenvolvi uma técnica capaz de transformar células adultas de qualquer tecido em células-tronco induzidas. Hoje, somos pioneiros no País na produção de células artificiais”, conta.

 

Como cientistas, porém, eles não sabiam o que fazer para empreender. “Além disso, quando falamos em ciência hardcore, não encontramos no Brasil pessoas interessadas em investir. Muitos investidores nem sabem o que é biotecnologia”, lamenta o cientista. “É mais fácil investir em aplicativo, porque em pouco tempo é possível confirmar a viabilidade do produto. Em biotecnologia, essa confirmação pode demorar até oito anos. É, portanto, é um risco que os investidores não querem assumir”, completa.

 

Foi com o suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que a Pluricell deu os primeiros passos. “Obviamente, a verba é focada somente em pesquisa. Para implantar a área comercial, fizemos financiamento coletivo, que nos rendeu R$ 425 mil. Já para lidar com questões administrativas e comerciais, um dos sócios deixou de atuar como cientista para se qualificar como empreendedor. A universidade não nos deu treinamento nesse sentido.”

 

Apesar do sucesso, Biagi aponta um erro cometido na criação da empresa: fundamentar o negócio pensando em vender para a indústria farmacêutica. “Tivemos grande frustração de mercado quando entendemos que essa indústria estava interessada em genéricos e não no desenvolvimento de novos remédios. Nosso produto tem grande diferencial quando a indústria vai gerar produtos novos”, afirma.

 

Hoje, porém, após três anos de mercado, ele garante que este cenário esta mudando. “Estamos com boas negociações com duas marcas, mas em 2014 não era assim e mudamos o foco para vendermos para pesquisadores acadêmicos.” Com foco na produção de células cardíacas, a Pluricell já conquistou um cliente em Israel. “Então, resolvemos direcionar as vendas para o mercado externo. Hoje, atendemos pesquisadores acadêmicos e empresas internacionais”, conta Biagi

 

Outro cliente em potencial é a indústria cosmética brasileira. “Estamos concluindo o desenvolvimento de células-tronco de pele artificial, que poderá ser usada pela indústria cosmética, reduzindo em dez vezes o número de animais usados em testes. No momento, mantemos boas tratativas com Natura e O Boticário”, revela.

 

Como o auxílio da Fapesp e a verba do investimento coletivo terminam no próximo mês, a empresa de Biagi está realizando rodadas de investimento. “É provável que um dos investidores seja um grupo internacional. Até conseguirmos a captação, vamos ficar sem bolsa, mas estamos firmes. Nosso maior desejo é fazer com que uma empresa nacional de biotecnologia de ponta dê certo, abrindo o mercado para outros negócios. Queremos valorizar a ciência brasileira”, completa.

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