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08/09/2017 | O mercado de trabalho e o 'Robocalipse' – Valor Econômico

Artigo de Carlos A. Primo Braga

O impacto da reforma trabalhista no Brasil vem atraindo atenção não apenas no país, mas também no exterior. Em contatos com investidores estrangeiros, observei uma reação positiva à reforma, que é interpretada como um passo no sentido da modernização das relações trabalhistas no país.

A modernização das relações trabalhistas é uma condição necessária, mas não suficiente, para a recuperação da economia brasileira. A despeito das reações estridentes daqueles que caracterizam a reforma como uma ameaça aos direitos adquiridos dos trabalhadores, uma outra ameaça à estabilidade do emprego vem recebendo bem menos atenção no Brasil. Me refiro ao choque de novas tecnologias e, em particular, o impacto do progresso no desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e da robótica.

Os termos IA (associado com a ciência e a engenharia de se produzir máquinas "inteligentes") e robôs são utilizados neste artigo de uma forma genérica para ilustrar o impacto da automação. São termos antigos, cuja influência até recentemente parecia ser mais relevante para o campo da ficção científica do que para as relações trabalhistas. 

A palavra robô, por exemplo, foi introduzida na década de 1920 pelo autor teatral tcheco Karel Capek para descrever androides (na realidade, organismos biológicos artificiais) utilizados como mão-de-obra. A expressão IA tem as suas origens em conferência organizada por John McCarthy em Dartmouth, EUA, em 1956.

Em ambos os casos, predições sobre a evolução dessas tecnologias tipicamente desapontaram os entusiastas. Avanços recentes, porém, sugerem que uma nova revolução caracterizada pela integração do mundo físico e do digital está em vias de ocorrer.

O debate sobre IA/robótica tipicamente contrapõe visões distintas sobre o seu impacto social. De um lado, os "otimistas" que enfatizam os benefícios dessas inovações e argumentam que os desafios em questão são semelhantes aos que enfrentamos no passado, quando outras inovações alavancaram as diferentes fases da revolução industrial.De acordo com essa perspectiva, o impacto dessas inovações pode gerar desemprego e ajustes em alguns setores, mas as externalidades associadas com o aumento de produtividade agregada mais do que compensariam tais ajustes. O mantra dos "otimistas" é que o futuro será caracterizado não pelo confronto entre máquinas (e, em particular, robôs dotados de IA) e trabalhadores, mas pela competição entre trabalhadores que têm o controle desses robôs e aqueles que não têm acesso a essas tecnologias.

A escola "pessimista", por sua vez, chama atenção para a velocidade inusitada das transformações tecnológicas que estamos testemunhando. O lema desse grupo é que "dessa vez é diferente". Não apenas o impacto da automação estaria subvertendo a lógica da globalização (por exemplo, estimulando "reshoring" na medida em que países bem dotados de capital e tecnologia se tornam mais competitivos em relação àqueles com mão de obra barata), mas também estaria contribuindo para aumentar a desigualdade econômica. Esses avanços tecnológicos privilegiam uma elite tecnocrática cuja renda vem aumentando exponencialmente. As empresas associadas com essas tecnologias (por exemplo, Apple, Alphabet/Google, Microsoft, Amazon e Facebook) encontram-se hoje entre as 10 maiores empresas de capital aberto no mundo e têm apostado no desenvolvimento acelerado da IA.

O impacto da automação não se restringe, porém, ao vertiginoso crescimento da renda dessa elite tecnocrática. Ela também fomenta transformações setoriais que aumentam a demanda por trabalhadores com níveis elevados de educação. Isso tende a diminuir oportunidades e salários da classe-média tradicional.

Ao se adotar uma perspectiva de longo prazo, a análise dos custos e benefícios da automação pode ser articulada em termos do debate sobre o conceito da "singularidade", qual seja o momento em que a IA atingirá um status de "super-inteligência" (SIA) e seres humanos estarão co-habitando a terra com entidades muito mais inteligentes do que nós mesmos (alguns analistas acreditam que isso poderia ocorrer por volta de 2045). Será esse o limiar de uma nova era na qual problemas como fome, pobreza e doenças serão eliminados ou o início de uma era catastrófica (o 'Robocalipse' do título) em que as visões de Hollywood capturadas na série de filmes do "Exterminador do Futuro" se tornariam realidade? Teremos uma SIA benevolente com relação à raça humana ou indiferente a princípios éticos e focada em maximizar sua utilidade de forma independente das consequências para a humanidade? Essa é uma área de fronteira na pesquisa e desenvolvimento da IA, qual seja, como ensinar princípios éticos a um robô.

Não obstante teorias distintas sobre a capacidade humana de desenvolver SIA e de manter controle sobre a mesma, a realidade é que em um mundo de crescente automação, o foco das questões econômicas vai gradualmente se deslocar dos problemas de escassez para questões de distribuição de renda. Em tese, políticas de renda mínima, tributação de riqueza, , oferta de bens públicos e ênfase na expansão de serviços educacionais podem facilitar essa transição. 

Mas é importante reconhecer que essa caminhada tem um destino incerto. Para os "otimistas", o mito de Pigmaleão e sua estátua (Galatea) ilustram o potencial de um final feliz. Para os "pessimistas", a história de Mary Shelley sobre Frankenstein é uma referência mais apropriada. Seja qual for a narrativa adotada para se construir uma visão de futuro, é evidente que países terão de adaptar suas leis trabalhistas e políticas sociais de forma significativa nas próximas décadas.

No caso brasileiro, tais reformas serão ainda mais cruciais em virtude da fragilidade do nosso sistema educacional. Em síntese, a reforma trabalhista é apenas o primeiro passo de uma jornada longa e desafiadora. 

Carlos A. Primo Braga é professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor de Política Econômica e Dívida, Banco Mundial

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