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02/09/2017 | Previdência pode consumir 80% do Orçamento – O Estado de S.Paulo

A fatia do Orçamento comprometida com benefícios previdenciários e com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) – assistência prestada a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda – subirá dos atuais 56% para 80% daqui a dez anos, se a reforma da Previdência não for aprovada, alertou o assessor especial da Casa Civil, Bruno Bianco Leal. Ele participou ontem do Fórum Estadão sobre a reforma da Previdência.

Sem a reforma, de acordo com Leal, a Previdência terá um custo R$ 108 bilhões maior do que hoje (a valores atuais) em 2026. Isso significa que, em menos de uma década, as despesas com os benefícios vão crescer em magnitude superior ao Orçamento atual de saúde (R$ 98 bilhões em 2016) ou educação (R$ 94,5 bilhões). Para ele, a aprovação da reforma não é uma questão de governo, mas é uma questão de Estado.

 

Durante a abertura do evento, o ex-embaixador Rubens Barbosa e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior fez coro com Leal. Ele disse que, sem a aprovação da reforma, o País caminha para ficar numa situação parecida com a da Grécia. Na sua avaliação, o envelhecimento da população está criando um problema para todos os governos ao redor do mundo e os brasileiros ainda não perceberam a extensão dele.

O secretário da Previdência, Marcelo Caetano, acha possível aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano. Uma eventual nova denúncia contra o presidente Michel Temer não inviabiliza a aprovação da reforma, disse ele. Caetano admitiu que novos fatos podem alterar a dinâmica própria da política, mas não a ponto de impedir a votação da proposta. Para ele, os temas são independentes.

 

Público. Um número alarmante foi apresentado pelo secretário no evento. Nas contas dele, o déficit atuarial dos regimes próprios de Previdência do setor público é de R$ 6,6 trilhões, incluindo Estados, municípios e a União, em um total de 9,962 milhões servidores (ativos e inativos). A cifra corresponde à diferença entre as contribuições e os benefícios pagos até o final da vida desses servidores, trazida a valor presente.

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