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23/08/2017 | Evidências de um ambiente nocivo para as mulheres em Economia – O Estado de S.Paulo

Um novo estudo pioneiro sobre conversações online entre economistas descreve e quantifica uma cultura no ambiente de trabalho que parece consistir de uma grande hostilidade em relação às mulheres em partes da profissão de economista.

 

Alice H. Wu, que vai iniciar seu doutoramento em Harvard no próximo ano, completou a pesquisa em uma premiada tese de encerramento de curso na Universidade da Califórnia, Berkeley. O estudo circulou entre importantes economistas este verão, gerando pressões por debates.

David Card, eminente economista de Berkeley, que foi o orientador da tese de Wu, disse-me que ela havia apresentado “um estudo bastante perturbador”.

 

A sub-representação de mulheres nos departamentos de economia das principais universidades é bem documentada, mas estava sendo difícil avaliar as reclamações a respeito da cultura no ambiente de trabalho porque é raro que as conversas desagradáveis ocorram abertamente. Discretamente sussurradas ao lado de um bebedouro são difíceis de observar, quanto mais de medir.

 

Mas a intersecção de duas mudanças tecnológicas abriu novo caminho para pesquisa. Em primeiro lugar muitas das conversas de “bebedouro” migraram online, deixando para trás um arquivo computadorizado. Além disso, técnicas de aprendizado de máquinas (machine learning) foram adaptadas para explorar padrões em grandes blocos de texto e, como resultado, é possível agora quantificar o significado daquele tipo de intriga.   

 

Isso foi o que Wu fez em seu estudo “Estereótipos de Gênero na Academia: Fórum de Evidências de Rumores no Mercado de Trabalho em Economia”.

 

Wu garimpou mais de um milhão de posts de um quadro de mensagens anônimas online frequentados por muitos economistas. O site, comumente conhecido como ecojobrumors.com (seu nome completo é Economic Job Market Rumors), começou como um local para que os economistas trocassem inconfidências sobre quem está contratando e sendo contratado na profissão. Com o tempo, ele evoluiu para um bebedouro virtual frequentado por membros da faculdade de economia, estudantes de graduação e outros.

 

Ele agora se consolidou como um útil, embora imperfeito, arquivo para estudar do que os economistas falam quando conversam entre si. Como todos os posts são anônimos, é impossível saber se os autores são homens ou mulheres, ou até que ponto são representativos da profissão, num sentido mais amplo. Na verdade, alguns podem até nem ser economistas. Mas é um fórum ativa e atentamente acompanhado, particularmente entre jovens membros do campo.

Wu preparou seu computador para identificar se o sujeito de cada post era um homem ou mulher. A versão mais simples envolve a busca por referência a “ela”, “dela”, “ela mesma” ou “ele”, “dele”, ou “ele mesmo”.

 

Ela em seguida adaptou técnicas de aprendizado de máquinas para identificar os termos mais exclusivamente associados a posts referentes a homens e mulheres.

 

As 30 palavras mais exclusivamente associadas a discussões sobre mulheres conduzem a leituras constrangedoras.

 

Pela ordem, a lista é a seguinte: mais picante, lésbica, bb (baby em linguagem de internet) sexismo, peitos, anal, casar, feminazi (militante feminista), vagabunda, quente, vagina, seios, grávida, gravidez, atraente, casar, divertida, deslumbrante, excitante, arrasadora, linda, secretária, bagulho, compradora, encontro, sem visar lucro, intenções, sexy, antiga e prostituta.

 

A relação paralela de palavras, associadas a discussões sobre homens revalam temas sem semelhança ou hostilidade. Inclui palavras que são relevantes à economia, tais como consultor, Austríaco (uma escola de pensamento em economia) matemático, fixação de preço, manual e Wharton (a faculdade de administração da Universidade da Pensilvânia que é a alma mater do presidente Trump). A maior parte das palavras associadas a discussões sobre homens têm um tom positivo, incluindo termos como metas, maiores e Nobel. E na medida em que existe um tema claramente focado no gênero, é uma batalha quase infantil por status: a relação inclui palavras como intimidação, ardente e luta.

 

Em seu estudo, Wu diz que o anonimato dos posts online “eliminam qualquer pressão social que participantes possam sentir ao editar suas declarações” e isso talvez tenha lhe permitido “captar aquilo no qual as pessoas acreditam, mas não diriam abertamente”.  

 

Para poder avaliar de forma mais sistemática os temas subjacentes de tais discussões, Wu foi além da analise específica de palavras para explorar os tópicos abrangentes em debate.

 

Essa parte da sua análise revela que discussões a respeito de homens têm maior probabilidade de serem confinadas a tópicos tais como a própria economia e consultoria profissional (com termos incluindo carreira, entrevista ou colocação).

 

As discussões de mulheres têm muito maior possibilidade de envolver temas relativos a informações pessoais (com palavras como família, casada ou relacionamento), atributos físicos (palavras como bela, corpo ou gordura) ou com termos relacionados ao gênero (como gênero, sexista ou sexual).

 

Em um email, David Romer, proeminente macroeconomista de Berkeley, resumiu o estudo como o retrato de “uma latrina de misoginia”.

 

Com certeza o fórum online estudado por Wu dificilmente é representativo de toda a profissão de economista, embora mesmo uma minoria vociferante possa ser suficiente para criar um ambiente de trabalho hostil para as mulheres economistas.  

 

Janet Currie, importante economista empírica em Princeton (onde Wu trabalha como pesquisadora assistente), disse-me que as descobertas repercutiram porque estão “quantificando sistematicamente algo que a maior parte das mulheres economistas já sabia”. A análise “mostra em grande parte atitudes que persistem em recantos obscuros da profissão”, disse Curie.

 

As intrigas exercem um importante papel em todas as profissões, incluindo economia e isso pode em geral ser benigno. Mas falsidades de fonte anônima podem espalhar-se como fogo, afetando carreiras de pessoas.

 

Silvana Tenreyro, professora na London School of Economics e ex-presidente da comissão feminina da Associação Europeia de Economia afirmou que “todos os anos uma ou duas crises se originam” de rumores iniciados no fórum, “tendo como alvo típico uma estudante”.

 

Alguns economistas disseram que para eles, o que se discute noeconjobrumors.com, é um sopro de ar fresco. George Borjas, professor de economia em Harvard, escreveu em seu blog no ano passado que considerava o fórum “estimulante”.

 

Borjas disse: “ainda há esperança para a humanidade, quando muitos dos posts escritos por um monte de jovens cientistas sociais extremamente instruídos ilustram a liberação das obrigatoriedades do politicamente correto e refletem preocupações prosaicas desfrutadas por seres humanos mais normais: prestígio, sexo, dinheiro, conseguir um emprego, sexo, má conduta profissional, fofoca, sexo...” Em um email enviado na quarta-feira, depois de ter recebido uma cópia do estudo de Wu, Borjas disse que suas opiniões não tinham mudado.

 

Currie alertou Wu para o fato de que escrever sobre tais temas provavelmente fariam com que ela se tornasse alvo de assédio online. Wu disse que está irredutível.

 

Se há uma história otimista a ser contada sobre o futuro da economia, Wu pode muito bem representa-la. Não é comum uma tese de conclusão de curso ter esse tipo de impacto, mas ela não é uma jovem economista comum. Com apenas 22 anos, também desafia o estereotipo de que as mulheres são relutantes matemáticas e programadoras, uma vez que sua análise mostra ser adepta de ambas. Card a descreve como “uma estudante extraordinária”.

 

Ela também é perseverante e quando indaguei a Wu se o preconceito sexual que ela documentou a havia levado a reconsiderar a ideia de seguir com sua carreira em economia, ela disse que não. “Você vê essas coisas ruins acontecerem e quer se colocar à prova”, ela respondeu.

 

Na verdade, ela disse que sua pesquisa sugere “que mais mulheres deveriam estar nesse campo, mudando o cenário”.

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